400X1: Uma História do Comando Vermelho

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LIMA, William da Silva. 400 contra 1: Uma História do Comando Vermelho. ANF Produções, 2016.

 

O livro retrata as origens da primeira facção criminosa brasileira. O surgimento da organização de um grupo de presos está relacionado mais a sobrevivência no cárcere do que a articulação do crime urbano. William da Silva Lima, chamado pela Polícia como o Professor, era uma dos “cabeças pensantes” que estava preso na década de 1970 no Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro.

Ele faz o relato do homem preso com detalhes. Desde a obsessão por fugir, o plano de fuga e a importância de ouvir mais do que ver dentro de uma cadeia. A descrição das surdas, as celas de castigo, é de doer o estômago.

William Lima também explica como inspetores penitenciários e a massa carcerária se relacionavam. Violência e a exceção do bom tratamento são relatados de forma crua. Todos os atores de um cenário de miséria.

Ele revela que são conhecidas dezenas de histórias em que carcereiros facilitaram fugas apenas para colocar diretores liberais na defensiva ou, até mesmo, tirá-los do cargo.

Explica as origens do procedimento em que os presos ficam fora da cela durante o dia e da provável origem do nome “Teresa” para a corda que funciona como meio de comunicação na cadeia. Hoje, também é o apelido do material usado para as fugas das prisões.

O lado do bom do cárcere era a possibilidade de aproveitar o tempo para se ocupar. O ofício de alfaiataria que aprendeu na Esmeraldino Bandeira serviu para a vida toda.

O escritor também conta quando foi para a Lemos de Brito em 1963, que era vitrine do Sistema Penitenciário. Lá, o envolvimento dos sargentos e marinheiros rebelados, presos políticos, e a massa carcerária pode ter sido crucial para a organização do preso comum nas cadeias do Estado.

Já em Ilha Grande, enfatiza que os 30 presos políticos fizeram questão de não se misturar com os 90 presos “proletários” enquadrados na Lei de Segurança Nacional. O que para muitos seria a criação da Falange LSN (Vermelha) é desconstruído por quem viveu esse momento histórico para a criminologia brasileira.

O prefácio do livro é do jornalista e escritor Percival de Souza, autor de Narcoditatura. Ele remete a obra de William Lima à Cherrière em Papillon, Dostoievski em Recordação da casa dos mortos e Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos.

É um importante documento da memória das prisões – durante cinco décadas – em Ilha Grande e do Sistema Penitenciário em geral, antes dele vir a se tornar o que a grande mídia chamaria no século atual como o Escritório do Crime.

 

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